MORAR COM O EMANUEL

Jesus é insistente: não pára de repetir que os seus discípulos devem comer a sua
carne e beber o seu sangue! Ainda hoje, tal linguagem é chocante, inaceitável para a
nossa razão e para a nossa sensibilidade. Sabemos, é certo, que São João escreve
depois da Ressurreição e que as palavras de Jesus só se podem aceitar e
compreender a essa luz. Uma das palavras-chave do discurso de Jesus é “morar”:
aqui e em tantas passagens do Evangelho… Morar com alguém é entrar na sua
intimidade, para ficar juntos. É isso que Deus quer: “estar com” com os homens,
“Emanuel”, para que nós estejamos também com Ele. Não podemos aceder ao sentido
profundo das palavras de Jesus sobre a sua carne a comer e o seu sangue a beber se
não nos colocarmos no registo do amor que exige a presença, o “estar com” dos dois
seres que se amam. No amor, é tudo ou nada. O seu amor por nós é tal que Ele quer
dar-Se na totalidade do seu ser e quer que esse dom dure sempre. Esta experiência já
acontece humanamente: num momento de intensa comunhão com o ser amado,
desejamos ardentemente que isso dure sempre. Ao escolher o meio do banquete
eucarístico para colocar em nós a sua presença de Ressuscitado, Jesus quer enraizar-
Se em nós e alimentar o gérmen da Vida eterna que será doravante a sua. Eis porque
Ele pode afirmar: “quem comer deste pão viverá eternamente”. Participar na
Eucaristia, comungar do corpo e do sangue de Jesus ressuscitado, é oferecer-Lhe o
nosso “espaço humano” muito concreto, toda a nossa pessoa para que Ele venha
habitar em nós. Então podemos, desde agora, ser um com Ele: “já não sou Eu que
vivo, é Cristo que vive em mim!”.













